Criança birrenta: como lidar com as birras no dia a dia

Criança birrenta: como lidar com as birras no dia a dia

Por: Marcia Belmiro | Filhos | 14 de maio de 2018

É muito comum pais e cuidadores sentirem um estresse profundo ao lidar com determinadas atitudes extremas das crianças, dessa forma esse artigo pretende trazer dados importantes acerca do universo infantil para auxiliar os pais a lidar com a birra das crianças sem perder os cabelos.

O que é a birra?

Na realidade, o que muitas vezes é interpretado pelos adultos como má vontade das crianças ou até mesmo como intenção de fazer mal ao cuidador, na maioria das vezes não passa de uma tentativa da criança explicitar os desejos. O que ocorre é que, na ausência de recursos adequados socialmente, a criança se utiliza daqueles poucos recursos que possui em seu repertório e que muitas vezes se resumem ao choro e ao grito.

Quando a criança se recusa a comer, por exemplo, este fato não necessariamente está ligado ao desgosto pela comida ou à falta de fome: pode ser apenas que seu filho queira segurar a colher com as próprias mãos ou sentar-se à mesa como fazem os adultos. Além disso, para os pequenos tudo é potencialmente uma brincadeira e, se a criança estiver sem fome, ela pode achar que a comida foi posta na sua frente com o objetivo final da diversão.

Então, antes de mais nada, para lidar com a birra das crianças é fundamental que você possa reconhecer o ponto de vista delas e o que exatamente elas desejam quando apresentam esse tipo de comportamento. É muito frequente que a criança estressada, cansada, com fome ou que esteja em locais com muita gente ou muito barulho, experiencie uma tempestade de sensações desencadeadas por hormônios e circuitos eletroquímicos cerebrais, que são inteiramente novas para elas e que ela ainda não saber reconhecer. Dessa maneira, é fundamental que os pais sempre investiguem o que está acontecendo naquele momento.

Formas improdutivas de lidar com birra de criança

Dizer “NÃO” constantemente para as crianças que apresentam um comportamento que você não gostaria elas tivessem na maioria das vezes não apresenta muitos resultados. Isso acontece porque o cérebro humano simplesmente não processa bem a forma negativa. Por exemplo, se eu te digo “Não pense em uma árvore”, qual é a primeira coisa que aparece em sua mente? Uma árvore! Assim, é necessário adotar novas palavras para interromper o movimento da criança, como a palavra “pare”.

Sem falar que, para as crianças, coisas básicas como o que acontece quando um objeto de vidro é jogado no chão nem sempre se apresentam de forma tão óbvia quanto é para um adulto que já foi ensinado e já passou por esse tipo de experiência. Tudo é novo no universo infantil e, a todos os momentos, as crianças estão fazendo novos experimentos e testando os limites da realidade.

Para que mães, pais e cuidadores mantenham a calma frente às situações em que as coisas saem um pouco de seu controle, é importante ter em mente que as crianças não estão apresentando esses comportamentos “de propósito” e com a intenção óbvia de estressar as pessoas que ela ama. Gritar e se estressar com a criança só vai aumentar a angústia e o desespero que ela própria está vivenciando. Ou seja, ninguém sai vencedor “no grito” nem “à força”.

Como lidar com crianças birrentas

Fica evidente que o mais importante nessas situações é ser empático com as crianças, tentar compreender seus sentimentos e oferecer solidariedade à elas, que estão passando por um turbilhão de coisas novas. Ao realizar esse esforço para tentar compreender aquilo que está por trás das atitudes da criança, ela se sentirá valorizada e acolhida, fato que por si só já possui potencial para amenizar o clima desagradável do momento.

Uma vez entendida a situação, um tipo de intervenção que tem se mostrado bastante eficaz é abaixar-se até a altura da criança ou pegá-la em seu colo e, com a voz tranquila e olhar doce, explicar para ela porque você não gostaria que ela agisse da forma como está agindo. A partir do exemplo de como o adulto age, a criança também vai começar a moldar suas atitudes e variar o seu repertório de respostas às situações.

Essa postura também pode ser associada à uma postura coaching de não julgamento e de oferecer à criança um aspecto fundamental para a construção de relacionamentos humanos saudáveis: a empatia. É fundamental apresentar tolerância pelos comportamentos que transbordam das crianças e fazer determinadas perguntas a elas, de modo que sejam auxiliadas a nomear e identificar o que está acontecendo em cada momento e ajudá-las a construir a melhor forma possível de encarar, resolver e superar as problemáticas que atravessam seu dia a dia.

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