Como a superproteção interfere na formação da criança?

Como a superproteção interfere na formação da criança?

Por: Marcia Belmiro | Crianças | 16 de agosto de 2019

É comum que pais e mães tenham dúvidas sobre a prontidão da criança para tomar decisões (pequenas e grandes), para compreender situações difíceis e até para fazer atividades — desde ajudar na arrumação da casa a passar o fim de semana num acampamento com outras crianças, ainda que sob os cuidados de adultos. Sem saber como agir, às vezes a solução encontrada é proteger a criança visando garantir sua segurança. A questão é que, dependendo da dose, esse cuidado pode se transformar em superproteção. Nesse caso o que era remédio vira veneno e prejudica o desenvolvimento saudável do pequeno.
 
Às vezes os pais superprotegem para evitar que os filhos passem por situações traumáticas e dolorosas sofridas por eles na infância, como por exemplo bullying e violência, quando, na verdade, a melhor contribuição que o adulto pode trazer dar é alertar as crianças sobre os possíveis perigos, dar suporte emocional nos momentos difíceis, mas principalmente permitir que vivam suas próprias experiências e, a partir daí, construam seu aprendizado.
 
D. W. Winnicott cunhou o termo “gesto espontâneo” relacionado ao impulso pessoal, ao “verdadeiro self em ação” do indivíduo, presente desde a fase de bebê. Quando os pais não dão espaço ao gesto espontâneo, condicionando o filho à aprovação do adulto, extinguem a possibilidade da experimentação da dor, dos próprios limites, mas também da alegria, de descobrir suas potências e comemorar suas conquistas.
 
Em uma pesquisa realizada na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, provou-se que crianças com pais controladores enfrentam maior dificuldade em se desenvolver no meio social e escolar. Segundo Nicole B. Perry, PhD e principal autora do estudo, toda criança precisa aprender a administrar suas emoções e seu comportamento, e a fiscalização excessiva dos pais limita este crescimento.
 
Os pesquisadores acompanharam 422 crianças no período de oito anos, quando elas tinham 2, 5 e 10 anos de idade. O processo consistiu em monitorar o comportamento dos pequenos diante de atividades rotineiras como brincar, limpar os brinquedos, fazer os deveres etc. A interação dos pais com os filhos, simulando como todos fariam se estivessem em casa, também foi observada e avaliada, assim como o feedback regular dos professores a respeito do desempenho e da realização de ações em sala de aula.
 
Perry e sua equipe descobriram que as crianças controladas excessivamente pelos pais aos 2 anos de idade tiveram a regulação emocional prejudicada quando chegaram aos 5. Já as crianças de 5 anos com maior autorregulação emocional tiveram menos probabilidade de ter problemas emocionais, desenvolveram melhor as habilidades sociais e apresentaram menos dificuldades de aprendizado aos 10. No 10° ano de vida, as crianças menos impulsivas tinham probabilidade de exclusão social menor, menos problemas emocionais e melhor desempenho escolar.

“Nossas descobertas ressaltam a importância de educar os pais, muitas vezes bem-intencionados, sobre o apoio à autonomia das crianças para lidar com os desafios emocionais”, afirma Nicole B. Perry.


Como os pais podem auxiliar os filhos no processo de desenvolvimento saudável?

 
Não há um manual, mas existem padrões e critérios que auxiliam neste processo, de modo que os pais entendam a importância de incentivar a autonomia na infância, dentro da maturidade própria a cada idade.

O que desejo é que você como mãe, pai ou cuidador compreenda que as crianças podem e devem ser estimuladas a desenvolver habilidades que irão contribuir para a construção da própria capacidade emocional, social e cognitiva.

E também quero dizer que você não precisa se sentir só e perdido nesta jornada porque existem técnicas e ferramentas que podem auxiliar os pequenos neste processo e orientar você a ter uma abordagem diferente; que geram conexão entre pais e filhos, efeitos positivos na rotina familiar e auxiliam as crianças a compreender as situações da vida com responsabilidade, equilíbrio emocional e cuidado consigo.
 
Autonomia no dia a dia
 
Veja no infográfico abaixo sugestões de atividades domésticas que as crianças podem fazer, de acordo com cada idade:

Fonte da imagem: Portal Unimed ES.

Fonte do texto:https://www.apa.org/news/press/releases/2018/06/helicopter-parenting

 

 

                      

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